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Por que o brasileiro lê tão pouco ?
Dados mostram a dificuldade da população

AGÊNCIA UNIPRESS INTERNACIONAL


A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil divulgou recentemente uma imagem alarmante do panorama cultural do País. Quase metade (45%) dos brasileiros não leu nenhum livro nos últimos três meses. O estudo deixou claro que a leitura ainda não faz parte da rotina da população e que muito ainda precisa ser feito para incentivar este hábito e formar uma sociedade mais culta e consciente.
O relatório, realizado pelo Instituto Pró-Livro e Ibope Inteligência, revelou que entre os motivos para não ler, a falta de tempo aparece como o mais apontado, com 29%. Outros 28% não lêem porque não são alfabetizados e 27% porque não gostam ou não têm interesse. Entre as limitações, 16% afirmaram que possuem um ritmo lento de leitura e outros 7% disseram não compreender a maior parte do que lêem.
A CBL (Câmara Brasileira do Livro) é uma entidade voltada para a difusão do livro no Brasil. Criadora do Instituto Pró-Livro, órgão que trabalha pelo fomento à leitura e à difusão do livro, a CBL apóia inúmeras feiras regionais em todo o País. Com o apoio de seus associados, organiza a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, maior evento do gênero na América Latina, com mais de 800 mil visitantes na última edição.
A presidente da CBL, Rosely Boschini, ressalta dois fatores fundamentais para a formação de leitores: a família e a escola. “Os pais são fundamentais para despertar e incentivar o hábito da leitura em seus filhos. No Brasil, por questões econômicas e sociais, os pais também não têm o hábito de ler, transferindo para a escola toda essa responsabilidade.”
A leitura aparece em quinto lugar entre as atividades preferidas dos entrevistados, ficando atrás de ver televisão, ouvir música, ouvir rádio e descansar. A mãe aparece como a pessoa que mais influencia o gosto pela leitura. Entre os entrevistados que declararam gostar de ler, 49% disseram que o maior estímulo veio da mãe e 33% disseram tomar gosto pela prática graças aos professores.
Enquanto o brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano, na Europa e nos EUA, este número varia entre cinco e oito. A presidente da CBL alerta: “É preciso rever o sistema educacional brasileiro, investir continuamente em políticas públicas de incentivo à leitura e acesso ao livro, principalmente na revitalização das Bibliotecas Públicas e na aquisição de novos acervos.”
Mirian Paura Zippin, pesquisadora e professora do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), explica que a leitura abre diferentes horizontes, amplia as competências e habilidades do aluno e favorece melhores condições para um aprendizado eficiente. “O maior desafio que devemos enfrentar é não fazer da leitura uma obrigação didática, mas criar meios para que sejam formados leitores pelo interesse, pelo prazer e principalmente pelos resultados que as leituras poderão despertar no indivíduo.”
A professora salienta que é fundamental o apoio dos adultos para estimular debates sobre o conteúdo dos livros, como meio de despertar a sensibilidade das crianças para o sentido da leitura. “O adulto deve estar presente, estimulando este hábito. A atividade deverá ser vista como prazer e necessidade. Nesse mundo globalizado e de altas tecnologias, cada vez mais a leitura escrita e virtual se torna necessária para que participemos ativa e conscientemente do mundo em que vivemos”, orienta.
Investir é incentivar
Para desenvolver o hábito na sociedade e formar bons leitores, é necessário unir esforços e desenvolver ações. A verba prevista para o programa “Livro Aberto”, a principal iniciativa do governo para incentivar a leitura, é 197% maior que no ano passado. Segundo a assessoria do Ministério da Cultura (Minc), 300 bibliotecas foram abertas em 2007. A previsão para este ano é chegar a 330 novas unidades, para zerar o número de cidades sem biblioteca pública.
O ministro da cultura, Gilberto Gil, acaba de firmar um acordo de cooperação com o governo do Rio de Janeiro, para a implementação do Programa Mais Cultura, lançado em outubro do ano passado. O programa deve repassar cerca de R$ 4,7 bilhões para a cultura, em todas as regiões brasileiras, até 2010. Entre outras ações, a iniciativa prevê a criação e modernização de centenas de bibliotecas e a implementação de 20 mil Pontos de Cultura.
“A cultura precisa ser assumida como ferramenta de desenvolvimento. Há desigualdades gritantes no País que precisam ser atacadas. É preciso ter políticas públicas que enfrentem essa questão. Junto com o Ministério da Justiça implantaremos 300 Pontos de Cultura nas regiões brasileiras com os maiores índices de violência. Estamos certos de que a cultura é hoje um dos instrumentos mais eficazes para enfrentarmos os quadros negativos, a guerra cotidiana pela vida. Esse programa, sem precedentes, só será o que pretende ser, se for de todos”, declarou o ministro.